Gabriel Barbosa, o Gabigol, marcou presença no Podpah na última segunda-feira (9), entre diversos temas abordados em quase duas horas de conversa, um chamou a atenção: o apoio do craque ao futebol feminino.
Gabi destacou sua admiração pela jogadora espanhola Alexia Putellas, estrela do Barcelona e duas vezes vencedora da Bola de Ouro. Durante a conversa, o atacante revelou que acompanha regularmente os jogos do time catalão no futebol feminino e disse que chega a ser “zoado” por seus amigos por ver a modalidade.
O jogador admitiu que há diferenças entre a categoria masculina e o feminino, mas ressaltou que as mulheres já evoluíram muito no esporte, ele ainda disse que futuramente pretende realizar algum projeto envolvendo a modalidade.
No entanto, o debate não se aprofundou como poderia. Igão e Mítico, hosts do podcast, claramente não detinham o conhecimento sobre o assunto para continuar a conversa, Igão desviou o foco para o Corinthians (seu clube do coração), exaltando a equipe feminina do clube paulista, mas demonstrando pouco conhecimento sobre o tema abordado por Gabigol, fazendo comentários genéricos sobre a discussão.
“O Corinthians ganha tudo”, disse o apresentador do programa.
“Acho isso errado, só o Corinthians ganhar, tem que fazer os outros times melhorarem para poderem ganhar também”, contra-argumentou o jogador ao apontar a importância de haver competitividade nos torneios.
Porém até nisso o apresentador se equivocou, o último título disputado pelas “Brabas” (apelido do time feminino do Timão), o Campeonato Paulista, quem levou a melhor nos pênaltis e ficou com o título foi o rival do Corinthians, o Palmeiras.
A fala de Gabigol sobre a importância de equilibrar os torneios é pertinente. Enquanto equipes como o Corinthians se destacam, a evolução dos outros clubes é essencial para fortalecer o esporte como um todo, e não ser dependente só de um clube.
A situação ilustra um problema recorrente em espaços de mídia: a falta de preparo de alguns comunicadores para abordar o futebol feminino com a mesma profundidade e seriedade dedicada ao futebol masculino. Vendo o despreparo e o clima de galhofa com que os apresentadores levaram o assunto, o atacante não evoluiu suas falas sobre a temática e a conversa se desviou para outras coisas.
Discurso de Gabigol vai na contra-mão de ex-presidente do Flamengo
Rodolfo Landim, futuro ex-presidente do Flamengo, antigo clube de Gabigol, deu declarações contra o futebol feminino em novembro deste ano: “Vai afetar o calendário porque vai precisar dos estádios na Copa do Mundo de 2027. Já falei com o Ednaldo: “Você vai pegar o Maracanã para um jogo da China contra o Egito feminino? Vai dar 2 mil pessoas. Bota no estádio do América, em qualquer estádio do Rio de Janeiro. Bota no estádio do Bangu. Porque não vai dar mais que 2 mil pessoas nesse troço“.
A fala do derrotado nas última eleições presidenciais do clube denota profunda ignorância, a última Copa feminina, disputada em 2023 na Austrália e na Nova Zelândia obteve média de 30.910 espectadores, bem mais do que as “duas mil” que o cartola se referiu. A final entre Espanha (seleção onde Alexia Putellas joga) e Inglaterra comportou 75.784 pessoas no estádio.
Enquanto isso, o futebol feminino continua ganhando espaço na mídia e entre os torcedores, efeito que tendo a crescer com a realização do próximo mundial da categoria no Brasil daqui há três anos. Que as futuras gerações de atletas femininas sigam se inspirando nos ícones atuais da modalidade, seja em Alexia Putellas (do Barça) ou Gabi Portilho (do Corinthians).
Talvez, daqui a algum tempo, o debate na mídia esteja à altura do protagonismo que o esporte feminino merece.


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