Um novo jargão tem tomado as discussões sobre marketing esportivo, a tal “internacionalização da marca”.
A expressão nada mais é do que um eufemismo para algo bem mais simples: uma desculpa para dirigentes se divertirem na Disney. Afinal, dois times brasileiros se enfrentando para um público de brasileiros que moram no exterior, internacionaliza o quê?
Precisamos acabar com essa ilusão de que jogar contra outro time brasileiro no exterior é uma forma de internacionalizar uma marca. Isso é tão internacional quanto ir a uma loja da Havan e tirar fotos ao lado da réplica da Estátua da Liberdade.
A verdade é que não há nada de internacional ou inovador em ver Flamengo contra São Paulo em Orlando, a não ser a conta da viagem e o passaporte carimbado dos dirigentes.
Essas viagens são, na melhor das hipóteses, uma oportunidade para a comunidade brasileira no exterior matar a saudade do futebol da terra natal. Mas, vamos combinar, não é exatamente um festival de novas adesões à torcida, já que a maioria deles já são torcedores do time e acompanham as equipes, mesmo a distância.
Em vez de enfrentar times de outras nacionalidades, o que se viu foram amistosos entre equipes que se enfrentam regularmente todo ano no Brasileirão, e até em estadual no caso de Atlético-MG x Cruzeiro.
Vamos ser claros: a imprensa internacional não está exatamente de olho em dois clubes brasileiros se enfrentando em um amistoso em Miami. Isso não gera manchetes globais, a mídia estadunidense não dá a mínima para estas partidas. É apenas mais um jogo de futebol que, para a imprensa norte-americana, não tem importância alguma.
Leila Pereira, presidente do Palmeiras, não teve papas na língua ao dissecar esta farsa. Ela disse, com todas as letras: “Essa coisa de internacionalização… você internacionaliza o time pagando em dia, honrando compromissos, mostrando bom trabalho”.
E foi além, chamando o esquema pelo nome: “Isso só serve para dirigente passear na Disney”.
Completando com um veredito contundente: “Esse negócio de fazer pré-temporada no exterior é para dirigente passear. Não tem benefício para o atleta, benefício financeiro para o clube. Absolutamente nada. É para dirigente passear na Disney”.
Dá para dizer que ela mentiu em algo?
Portanto, vamos parar de fingir que isso é sobre internacionalização. É sobre dirigentes querendo brincar de turista com o dinheiro do clube. Se realmente quiséssemos expandir nossas marcas, estaríamos jogando contra times europeus, norte-americanos, asiáticos, africanos, mostrando ao mundo o que nossos clubes têm a oferecer.
É hora de acordar e usar nosso potencial como a ferramenta de internacionalização que ele realmente pode ter, e não como um pretexto para umas férias mal disfarçadas.


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